A Chácara "Volta Grande"



Em tempos de  discussão sobre o "novo código florestal brasileiro", dei me por lembrar da "chacrinha" que meu pai tinha lá em Kaloré, aqui mesmo no norte do estado, no Vale do Ivaí.
Ela tinha apenas dois alqueires e meio. Meus irmãos mais velhos que trabalhavam durante a semana nesse pedacinho de terra, diziam que eram dois alqueires de pedra e meio de terra, rs. Na verdade o espaço que podia ser plantado era pouco mesmo. 
No centro da chácara trator não "subia" de tão inclinado que era o morro.
Me lembro do quanto eu gostava de ir nos finais de semana junto com meu pai e meu irmão na pequena roça. Tinha um pomar razoável, uma pequena plantação de café, terreirão, abóbora e mamão a vontade. Tinha também uma reserva de árvores nativas. Toda a sorte de pequenos animais eram encontrados lá. Lebre, gambá, tatu, gato do mato, ouriço, etc. A água era pega na mina que ficava no pasto do vizinho. Um dia fiquei com nojo quando vi uma perereca pulando na água, hoje eu sei que aquela água era melhor do que a da SANEPAR. Meu pai dizia que o gado do vizinho, que era fazendeiro, era nosso. Eu ficava todo cheio acreditando na brincadeira dele.
Em 1989 meus irmãos já não estavam mais disposto a continuar trabalhando na terra, não compensava nada. Por fim , meu pai resolveu vender. Fiquei contente, pois o projeto era mudança para Colombo. Nem chegamos perto.
Ano passado fomos até Kaloré, e passamos na "Volta Grande". Que tristeza. Tudo aquilo se transformou em pasto. Nada de pomar, café, terreirão. Tudo pasto. Animais, só o Gado Nelore do vizinho fazendeiro, que agora era o dono da "Volta Grande".

* Obs: A foto acima é ilustrativa. Não temos nenhuma foto da nossa ex-propriedade.

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