SOBRE O BOLSA FAMÍLIA


Propaganda do Governo em 2001, sobre o programa

Ao contrário do que muitos pensam, o programa foi criado em 2001, na época do FHC, mas chamado de "Bolsa Escola". Inicialmente se tratava de uma ajuda de R$ 15,00, por cada criança da família matriculada na escola, com o intuito de reduzir a evasão escolar.
Na época eu era contrário ao programa, não pelo programa em si, mas pelo valor de R$ 15,00 que era muito pouco para ajudar alguém.

Mudei a opinião...

Quando em 2002 fui trabalhar no cadastro das famílias que seriam beneficiarias. Um dos bairros que visitei, e o que mais me marcou, foi a Vila Nova. Vila Nova era uma favela que existia na Presidente Vargas, abaixo da Vidrolãndia. Aos que não se lembram, a favela foi desativada por ordem judicial, sendo que as famílias foram transferidas para o Jardim Itália, obra essa construída com recursos do Governo Federal. Portanto, não foi um favor do prefeito da época (2001/2008) como foi propagado.

Na Vila Nova, visitei uma família de "bóias-frias" que moravam em situação precária. A casa (na verdade um barraco) era feita de sobras de materiais de alguma casa demolida. Parte de madeira, parte de zinco, parte de plástico.
A mãe da família contou que a "casa" havia sido herdada do pai, que foi morar na favela, pois ninguém alugava casa para uma família tão numerosa como a dele. Sobrou morar na Vila Nova. Sem outra opção.

A semana estava chuvosa, e essa mulher me contara que era impossível trabalhar com o tempo daquela forma. Ela e o marido eram diaristas, e se não trabalhavam também não ganhavam.
O casal cuidava de dois netos e, para agravar ainda mais a situação, tinham uma filha de dezessete anos acamada, com problemas neurológicos, devido a complicações no parto. Da sala de onde eu preenchia o cadastro, ouvia os urros da menina, que também não falava. 
Jamais me esqueci daquela família, devido a situação em que se encontravam. Lembro ainda que a minha pressão chegou a cair, dado o grau que presenciei ao ficar ali.

Eram pessoas simples. Não eram vagabundos como muita gente (que certamente nunca teve privação de nada na vida) gosta de falar. Não era uma situação daquele momento, era algo que vinha de longe, talvez desde os tempos de seus avós. Tenho certeza que não queriam as migalhas do governo, mas não haviam outras maneiras para reverter a situação de imediato.

Daquele momento em diante descobri que R$ 15,00 podia não significar muito para mim, mas para aquela família fazia uma grande diferença.




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